Não, não acredito em Deus. Não, não acredito em milagres. Não, não acredito no oculto. Sou cética. Tenho dificuldade em acreditar em coisas que não vi, que não me podem ser provadas.
Como posso acreditar em Deus! ? Alguém que nunca me foi apresentado, alguém que nunca ninguém viu! ? Como alguém que é colocado acima de todo o bem e dotado de toda a sabedoria, omnipresente e omnipotente pode permitir que os seus seguidores passem por tantas privações!?
Já sei, já sei. Deus só coloca o fardo nas costas de quem o pode carregar. .. Hã??? Então alguém que só pratica o bem ainda tem de ser fustigado!? Eu até podia dar um quase interminável número de exemplos, mas corria o risco de identificar pessoas e por isso não o vou fazer.
Acredito em Jesus. Sim, porque há relatos, há testemunhos. Só não me peçam para acreditar que fez milagres. Não duvido que tenha sido uma pessoa maravilhosa e que só praticou o bem, mas morreu em prol de tudo o que fez para ajudar o próximo.
A uma entidade como Deus não deveria ser reclamada justiça! ? Lamento, mas não consigo compreender. Quem pratica o bem não procura agradecimento, mas não seria merecedor de paz de espírito?
Mas acreditando que Deus existe, como poderia reclamar o sofrimento das pessoas que ajuda? Sacrifícios de kms a pé ou de joelhos e outro tipo de penitências? Se Ele realmente existe não consigo acreditar que se orgulhe disto. Se quem tem fé deposita a sua vida nas mãos de Deus e se Ele ajuda, sendo quem é, como poderia reclamar tal suplício?
Também temos a ostentação da igreja católica. Então, Jesus nasceu pobre em Belém e o Papa, em Roma, vive num rico palácio!? Se Jesus pregou descalço e ao relento porquê que a igreja vive no luxo! ? A fé não está dentro de edifícios, a fé está no coração.
Apesar de todas as minhas descrenças, não estou contra a religião. Sou a favor de tudo o que faça com que nos sintamos bem. Não me identificando com nenhuma religião acho maravilhoso que se possa sentir paz junto de uma entidade religiosa. Acho, sinceramente, que a fé pode ajudar as pessoas e até transformá- las em seres melhores.
Prefiro, no entanto, identificar-me com pessoas e com atitudes. Sou indiferente à religião, porque as pessoas são o espelho dos atos que praticam.
Por estes dias, durante o serviço, fui abordada por duas irmãs que me deram duas medalhas religiosas. De acordo com as suas crenças estas me iriam iluminar e proteger. E não é que acreditei nisso? Não que eu acredite que são as imagens que me protegem, mas sim o desejo de duas pessoas bondosas que praticam o bem pelo prazer de ver os outros felizes.
O meu semblante sorriu enquanto recebia as medalhas. E a fé é isto, acreditar que o amor é gratuito e pode mudar o mundo. Eu acredito.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Descrença na religião
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
O circuito obrigatório da felicidade
Quando finalmente conseguimos reunir todos estes requisitos já podemos pensar no casamento. Ganhamos coragem e seja o que Deus quiser.
Uma pessoa casa e lá vem a questão retórica: "Então!? E filhos!?". A resposta, quase sempre a mesma, e não passa de um simples: "Logo se vê!".
Não satisfeitos, a saga continua… "Estão à espera de quê?", "Olha que já não são novos!", "Qualquer dia são avós!", "Olhem que o tempo passa a correr!".
Finalmente, um casal faz a vontade à humanidade e tem um filho. Não é preciso deixar passar muito tempo e lá vem a perguntinha: "Quando vem o segundo?" "Não deixes que tenham uma grande diferença um do outro!", "Os filhos únicos são mimados!", "Tudo se cria!"
Por favor! Tréguas!!! Admitindo que estas questões não têm qualquer malícia, será possível que o caminho da felicidade tem de passar por todas estas etapas? Qualquer desvio já te torna "um fora da lei"!?
Uma questão, aparentemente, inocente pode causar dor, frustração ou ansiedade! A melhor opção passa por deixar as pessoas decidirem qual o momento certo de partilhar esses grandes momentos.
Qualquer momento é o certo desde que seja o nosso momento.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
E agora!? Quem se vai orgulhar de mim?
"E agora!?Quem se vai orgulhar de mim!?" Foram estas as palavras usadas por ti quando me abraçaste. Palavras essas que ficarão para sempre gravadas, na minha cabeça, no meu coração.
Perdeste a mãe. Sim, a mãe. E com ela foi um pouco de ti.
Mãe, palavra pequena mas carregada de significado.
Ser mãe é renunciar a si mesma. Mãe é magia, é sabedoria, é amor. Mãe é quela que diz que nunca gostou de torta de maçã, quando vê que há cinco pessoas para comer e só restam quatro pedaços. Não é assim? Claro que é. Mãe é sempre igual, só muda de endereço.
Foi o último adeus, mas fica sempre tanto por dizer... Tanto por fazer... Tanto por partilhar... Será possível dizermos a uma mãe tudo o que sentimos por ela? Não. Nunca há tempo. Falta sempre tempo para agradecer e pedir o último abraço.
Por entre a revolta e os porquês: Porquê eu? Porquê a minha mãe? Porquê agora? Porquê sofrer? Porquê a minha rainha? Porquê? Porquê? Porquê? Palavra que atormenta e não nos deixa dormir. Resta pedir que descanse em paz e encontre no céu toda a serenidade.
O tempo transformará a revolta em saudade, mas é ela que te manterá na memória todos os momentos felizes.
Afilhada, podes agora reviver esses momentos mas no papel de mãe. Transportar para o teu filho toda a sabedoria que adquiriste com ela. O amor incondicional será perpetuado em cada pedacinho do teu menino.
Quem agora se vai orgulhar de ti?
A resposta é simples, o Martim.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Charlie Hebdo
O Papa falou sobre a publicação de cartoons que muitos muçulmanos consideraram ofensivos em relação ao profeta Maomé. Francisco defende que não se pode insultar a fé dos outros. E eu concordo!
Liberdade de imprensa- sim!
Ofender os outros- não!
Claro que não se pode reagir com violência! Claro que não está certa a vingança!
Mas até onde pode ir a liberdade?
Aprendi com a vida que a nossa liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros. Há limites!
Ainda hoje falava com a minha mãe, exemplificando que se falassem mal dela, provavelmente, iria reagir com violência! Estava correcta? Estou certa que não. Mas o meu impulso não seria esmurrar quem insultasse a minha mãe!?
Volto a realçar que não defendo a violência. O que defendo é que há valores que têm de ser respeitados. Vamos brincar sem magoar ninguém.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Mais um ano
2015 chegou! Ena! Agora é que vai ser! Tudo vai mudar para melhor!
Mas será que vai mesmo? O ano novo irá superar o ano velho? Será que ao pedirmos o desejo nos lembramos que está nas nossas mãos mudar? Que só depende de nós? Acho que não. Só pensamos em pedir sem nos esforçamos para que isso aconteça.
Mexam-se! Arregassem as mangas e ponham mãos à obra! Está nas vossas mãos serem felizes! Escrevam a vossa história e tornem o vosso mundo melhor.
E como dizia o nosso querido Raúl Soldado: "Façam-me o favor de serem felizes. .." Bom ano!
terça-feira, 28 de outubro de 2014
O tédio do hospital público
Bem sei que ninguém vai ao hospital porque é "porreiro" ou porque não tem mais nada que fazer.
Se vamos ao hospital é porque estamos doentes, quanto muito, acompanhamos alguém que não está muito bem, que foi o meu caso.
Mas fiquei de "cabelos em pé" com toda aquela animação à minha volta! Se calhar a malta até curte aquilo!
Parece que os cartazes espalhados, por todo o lado, onde se pode ler: "silêncio por favor", não são suficientes... ou não são... importantes! Reinava a desordem e a falta de respeito!
Se fechasse os olhos sentia-me no parque, no jardim do Campo Grande!
Sentada ao meu lado direito estva uma criatura que resolveu colocar os headphones. Na realidade parecia não ter, já que se ouvia a sua belíssima música heavy metal, na perfeição! Como não ouvia mais nada para além daquilo, no tlm jogava com a música aos berros!
À minha esquerda tínha uma sra. que não parava de tossir para cima de mim, tornando-me portadora da sua maravilhosa chuva de perdigotos. Para quê usar um lenço ou o cotovelo!?
Ao fundo, tínhamos uma família feliz. Um estava doente, mas os outros 7 só vieram para acompanhar! Que bonito foi ouvir a família toda a brincar com o seu novo membro. Só faltava a toalha para o piquenique.
Um pouco mais à frente, um telemóvel teimava em tocar! Será que o proprietário de tal objeto indispensável conhece o modo silêncio ou vibração!?
Como é possível tudo isto acontecer em 50 m2! ?
Já não se fazem hospitais como antigamente. ..
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
A princesa Nonô
Hoje, todos estamos de luto.
Nonô deixou-nos prematuramente. Com cinco anos, não lhe foi dado tempo para crescer, para brincar, para estudar, e para mais uma série de outras coisas que todas as crianças têm o direito de viver. Não lhe foi dado tempo para os disparates, para as traquinices. A doença roubou-lhe o direito à meninice, e no seu lugar tínhamos uma criança com a maturidade de um adulto, com todo o peso que isso acarreta.
Aprendemos muito com ela. Aprendemos como enfrentar os obstáculos sempre com um grande sorriso. Aprendemos a valorizar tudo o que nos rodeia. Aprendemos a ser felizes na adversidade. É verdade, temos na Leonor um exemplo de coragem e determinação.
Muito me entristece saber que a Nonô não é a única, e que o IPO está cheio de exemplos terríveis. Meninos e meninas inocentes que já carregam consigo anos e anos de tratamentos dolorosos. É incrível como temos tanto para aprender com estas crianças!
Estou certa de como a princesa cor de rosa irá, estar à cabeceira de todos eles para, lhes iluminar o caminho da recuperação e dar-lhes força na sua longa caminhada.
Descansa em paz, meu anjinho.


